Cinemateca resgata 40 anos do CTAv com mostra de filmes raros que marcaram cinema brasileiro
A Cinemateca Brasileira homenageia os 40 anos do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) com uma mostra especial de filmes entre os dias 20 e 22 de maio, em São Paulo. A programação reúne 19 curtas-metragens que ilustram a importância da instituição para a preservação e desenvolvimento do audiovisual independente brasileiro.

- Cinemateca Brasileira exibe 19 curtas-metragens celebrando 40 anos do CTAv entre 20 e 22 de maio em São Paulo
- Programação organizada em três eixos: primeiras animações, filmes históricos sobre personalidades brasileiras e obras apoiadas pelo centro
- CTAv, criado em 1985, tornou-se referência nacional em suporte técnico, formação profissional e preservação do cinema independente brasileiro
- Filmes premiados como 'Barbosa' (1988) e 'Quando os Morcegos se Calam' (1986) integram a mostra especial
- Mostra reúne produções que vão de 1955 a 2025, documentando quatro décadas de impacto do CTAv no audiovisual nacional
Um acervo que define gerações
O CTAv, criado em 1985 e sediado no Rio de Janeiro, consolidou-se como referência nacional no suporte técnico, formação profissional e preservação do cinema brasileiro. Durante quatro décadas, a instituição foi fundamental para impulsionar produtores independentes, oferecendo infraestrutura e expertise que permitiram o florescimento de obras que marcaram a história audiovisual do país. A celebração de seus 40 anos na Cinemateca Brasileira não é apenas um marco temporal, mas um reconhecimento do impacto duradouro dessa instituição no desenvolvimento cultural nacional.
A mostra especial "CTAv 40 Anos" estrutura-se em três eixos temáticos que refletem as principais contribuições do centro ao longo de sua história. Cada noite apresentará uma perspectiva diferente, permitindo que o público compreenda a amplitude do trabalho realizado pela instituição e seu papel fundamental na formação de uma tradição cinematográfica brasileira robusta e diversa.
Primeira noite: primeiras animações e descobertas visuais
No dia 20 de maio, a partir das 19h30, o foco recai sobre o cinema de animação, com destaque para o premiado suspense "Quando os Morcegos se Calam" (1986), dirigido por Fábio Lignini. Além dessa obra-chave, a programação inclui outros títulos seminais de 1986 que representam as primeiras explorações do CTAv na linguagem animada: "Em Nome da Lei" (Rodrigo Guimarães), "Informática" (Cesar Coelho), "O Músico e o Cavalo" (Telmo Carvalho), "Presepe" (Patrícia Alves Dias), "Noturno" (Aída Queiróz), "Evoluz" (José Rodrigues Neto), "Instinto Animal" (Léa Zagury) e "Viagem de Ônibus" (Daniel Schorr).
Essa seleção documenta um período crucial em que o CTAv começava a estruturar seu apoio à animação brasileira. Entre as obras históricas e aquelas ainda sendo produzidas, figura também "Medo de Quê?" (2025), um curta de apenas um minuto realizado pela Turma da Escola Municipal Felix Mieli Venerando, evidenciando como o legado do centro continua gerando novas produções e inspirando novos realizadores.
Segunda noite: retratos de ícones e identidade cultural
O dia 21 de maio marca o segundo eixo temático: filmes históricos que resgatam grandes personalidades brasileiras. A programação inclui documentários e retratos que eternizam figuras essenciais da cultura nacional. "Carmen Miranda" (1969), dirigido por Jorge Ileli, traz a trajetória da artista que conquistou Hollywood mantendo suas raízes brasileiras. "Perto de Clarice" (1982), de João Carlos Horta, oferece uma aproximação íntima com a vida e obra da escritora Clarice Lispector.
Além desses, o público terá acesso a "Jornada Kamayurá" (1966, Heinz Forthmann), que documenta a vida indígena; "Brasilianas - Música Folclórica Brasileira" (1955, Humberto Mauro), que captura a riqueza musical do país; e "Álbum de Música" (1974, Sérgio Sanz), que complementa essa exploração sonora e cultural brasileira. Esses filmes não apenas homenageiam figuras emblemáticas, mas também reafirmam o compromisso do CTAv com a documentação e preservação da identidade cultural brasileira em sua multifacetada expressão.
Terceira noite: consagração e legado tangível
No encerramento da mostra, dia 22 de maio, o destaque vai para filmes que contaram com o suporte técnico e de equipamentos do CTAv. "Barbosa" (1988), dirigido por Ana Luíza Azevedo e Jorge Furtado e estrelado por Antonio Fagundes, é uma produção que exemplifica tanto a qualidade técnica quanto narrativa que o CTAv possibilitou. O filme, que marcou época ao contar a história verídica de um matador de aluguel, tornou-se referência de cinema independente brasileiro.
Complementa a programação "Como Se Morre no Cinema" (2002) e "De Janela Pro Cinema" (1999, Quiá Rodrigues), obras que evidenciam como o centro continuou sendo parceiro de criadores durante a década de 1990 e 2000. Esses filmes apoiados representam o resultado tangível do investimento institucional do CTAv em produtores independentes, demonstrando que o suporte técnico oferecido pela instituição não era mera infraestrutura, mas um catalisador para a criação de cinema de qualidade.
Importância para o audiovisual brasileiro
A mostra "CTAv 40 Anos" funciona como um espelho do desenvolvimento do cinema independente brasileiro. Nas últimas quatro décadas, o centro não apenas forneceu equipamentos e formação profissional, mas também estabeleceu um padrão de qualidade e compromisso com a preservação que influenciou gerações de cineastas. A programação oferecida na Cinemateca evidencia que o CTAv foi muito mais que uma instituição de suporte técnico: foi um agente transformador da história audiovisual brasileira.
O acesso a essas obras raras constitui uma oportunidade singular para compreender a trajetória do cinema brasileiro independente e o papel catalisador de instituições como o CTAv na formação dessa tradição. Para cinéfilos, pesquisadores e criadores, a mostra representa um arquivo vivo de como o país construiu, preservou e transmitiu sua memória audiovisual.





