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Economia

Petrobras é a petroleira mais lucrativa do mundo no 1º trimestre de 2026, superando Shell e Exxon

A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 como a petroleira mais lucrativa do mundo entre empresas do setor com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões. A estatal brasileira registrou lucro líquido de US$ 6,25 bilhões, superando Shell (US$ 5,69 bilhões) e Exxon Mobil (US$ 4,18 bilhões), segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

Por Eu Googlando IA5 min de leitura
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  • A Petrobras registrou lucro líquido de US$ 6,25 bilhões no 1º trimestre de 2026, tornando-se a petroleira mais lucrativa do mundo entre empresas com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões, segundo a consultoria Elos Ayta.
  • A liderança global foi favorecida pela valorização do real: o dólar Ptax médio recuou de R$ 5,85 para R$ 5,26 na comparação anual, elevando o lucro em dólares — mas em reais, o resultado caiu de R$ 35,2 bilhões para R$ 32,6 bilhões.
  • Shell ficou em segundo lugar (US$ 5,69 bilhões) e Exxon Mobil em terceiro (US$ 4,18 bilhões); em 2025, a Exxon havia liderado o ranking anual com US$ 28,84 bilhões.
  • A Petrobras aprovou pagamento de R$ 9,03 bilhões em dividendos aos acionistas, em duas parcelas previstas para agosto e setembro de 2026.
  • Apesar do maior lucro do setor, as ações PETR4 acumulam alta de 45,13% no ano, ficando atrás da Equinor ASA, que lidera em valorização acionária com quase 63% de alta.
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A Petrobras assumiu a liderança global de lucratividade entre as maiores petroleiras do mundo no primeiro trimestre de 2026, segundo estudo da consultoria Elos Ayta. O ranking reúne 16 companhias de petróleo e gás listadas no Brasil e no exterior com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões — das quais 8 são americanas, 4 europeias, 3 canadenses e a Petrobras, única representante brasileira.

Com US$ 6,25 bilhões de lucro líquido entre janeiro e março, a estatal brasileira ficou à frente de gigantes como a anglo-holandesa Shell (US$ 5,69 bilhões) e a americana Exxon Mobil (US$ 4,18 bilhões). O resultado representa uma virada expressiva em relação ao mesmo período do ano passado, quando a Exxon Mobil liderava o grupo com US$ 7,71 bilhões e a Petrobras registrava US$ 6,13 bilhões.

O papel do câmbio no resultado em dólares

A liderança global da Petrobras em 2026 tem um fator decisivo por trás dos números: a valorização do real frente ao dólar. A cotação média do dólar Ptax recuou de R$ 5,85 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 5,26 no mesmo período deste ano — uma queda de aproximadamente 10%.

Essa variação cambial elevou o valor do lucro da Petrobras quando convertido para a moeda americana, que é a referência utilizada pelo mercado global para comparar resultados entre empresas de diferentes países. Na prática, o desempenho melhorou nos olhos dos investidores internacionais graças ao câmbio, e não necessariamente por uma expansão dos ganhos em termos absolutos.

Em reais, o resultado da estatal recuou na comparação anual: de R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 32,6 bilhões no mesmo período de 2026 — uma queda de cerca de 7%. Ou seja, enquanto a posição global melhorou, o resultado doméstico apresentou desempenho inferior ao do ano anterior.

Pré-sal e cenário internacional como fatores de competitividade

Além do câmbio, o estudo da Elos Ayta aponta outros dois fatores que contribuíram para o bom desempenho relativo da Petrobras. O primeiro é a elevada produtividade dos campos do pré-sal brasileiro, reconhecidos como alguns dos ativos offshore mais competitivos da indústria mundial, com custos de extração baixos e altos volumes de produção.

O segundo fator é o impacto do conflito no Oriente Médio, que aumentou a volatilidade dos preços do petróleo no final do trimestre. A instabilidade geopolítica tende a pressionar os preços da commodity para cima, beneficiando produtores com custos controlados — como é o caso da Petrobras e de seus campos do pré-sal.

No primeiro trimestre de 2026, a estatal também reportou investimentos de R$ 26,8 bilhões, alta de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a estratégia de expansão e manutenção da capacidade produtiva, segundo informações divulgadas pela própria companhia.

Dividendos aprovados animam investidores

A Petrobras aprovou o pagamento de R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalente a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial. O valor será distribuído em duas parcelas: a primeira em 20 de agosto de 2026 e a segunda em 21 de setembro de 2026, ambas sob a forma de juros sobre capital próprio.

O anúncio dos dividendos, aliado ao lucro bilionário e à alta do petróleo Brent, reacendeu o interesse de investidores pela ação. Os papéis preferenciais da companhia (PETR4) acumulam alta de 45,13% no ano, segundo levantamento da Exame com base em dados de mercado.

No entanto, especialistas observam que a possibilidade de dividendos extraordinários ainda depende da estratégia de caixa da estatal. Segundo a Reuters, parte do efeito da alta recente do petróleo Brent deve aparecer de forma mais clara apenas no segundo trimestre, já que o modelo de precificação da Petrobras costuma refletir as cotações internacionais com alguma defasagem.

Ações da Petrobras ficam atrás de concorrentes na bolsa

Apesar de liderar em lucratividade, a Petrobras não ocupa a primeira posição no ranking de valorização das ações em 2026. A companhia aparece na sexta colocação entre as petroleiras analisadas, atrás de empresas como a norueguesa Equinor ASA, que lidera com avanço de quase 63% no ano.

A Equinor, que registrou lucro líquido de US$ 3,1 bilhões no trimestre — praticamente metade do resultado da Petrobras —, atribuiu seu desempenho em bolsa a uma combinação de produção recorde, alta nos preços da energia e estratégias de captura de ganhos com a volatilidade do mercado. A companhia também anunciou dividendos trimestrais e recompra de ações, o que impulsionou a percepção positiva dos investidores.

Na sequência da Equinor no ranking de valorização acionária aparecem a canadense Imperial Oil, com alta de 53,16%, e a americana Marathon Petroleum, com 53% de valorização até o fechamento do pregão de 14 de maio de 2026, segundo a Exame.

O contraste entre o lucro líquido elevado e a posição intermediária na valorização das ações ilustra uma dinâmica frequente no mercado financeiro: resultados contábeis robustos nem sempre se traduzem diretamente em maior retorno para os acionistas no curto prazo. Expectativas futuras, política de dividendos, estratégia de reinvestimento e percepção de risco do país de origem são variáveis que também pesam na avaliação dos investidores.

Contexto histórico: queda em relação à Exxon em 2025

Para contextualizar o resultado atual, vale lembrar que, no acumulado do ano de 2025, quem liderou o ranking global de lucro foi a Exxon Mobil, com US$ 28,84 bilhões, enquanto a Petrobras ficou na segunda posição, com US$ 20,01 bilhões, segundo o mesmo estudo da Elos Ayta.

A retomada da liderança trimestral em 2026, portanto, representa uma inversão de posições impulsionada em grande parte pela mudança cambial. O cenário reforça a importância de se analisar resultados de empresas globais levando em conta não apenas os números absolutos, mas também o contexto macroeconômico — em especial as variações da taxa de câmbio entre países.

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