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Dólar oscila entre R$ 4,98 e R$ 5,08 em semana marcada por tensão política e pressão externa

O dólar encerrou uma semana volátil oscilando entre R$ 4,98 e R$ 5,08, pressionado pelo escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de fatores externos como a alta do petróleo e o risco de juros elevados nos Estados Unidos. O Ibovespa fechou quinta-feira (14) em alta de 0,72%, aos 178.365 pontos, após três quedas consecutivas.

Por Eu Googlando IA5 min de leitura
Dólar oscila entre R$ 4,98 e R$ 5,08 em semana marcada por tensão política e pressão externa
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  • O dólar oscilou entre R$ 4,98 e R$ 5,08 na semana, impulsionado pelo escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
  • Na quarta-feira (13), a divisa americana disparou 2,31%, fechando a R$ 5,0086 — o chamado 'Flávio Day 2' —, após revelação de áudio pelo Intercept Brasil.
  • Na quinta-feira (14), o dólar recuou 0,45% para R$ 4,9863 e o Ibovespa subiu 0,72%, aos 178.365 pontos, em movimento de correção técnica.
  • Na sexta-feira (15), o dólar voltou a subir acima de R$ 5,00, pressionado pela alta do petróleo acima de US$ 105 e pelo risco de juros elevados nos EUA.
  • O Ibovespa acumulou queda de 3,12% na semana, enquanto o dólar valorizou 1,89% no mesmo período.
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A semana do "Flávio Day 2": como o escândalo político moveu o câmbio

A semana começou a ganhar contornos dramáticos na quarta-feira, 13 de maio, quando o site Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pedia recursos a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Segundo a reportagem, o dinheiro seria destinado a cobrir despesas com o filme Dark Horse, produção que narra a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reação dos mercados foi imediata e intensa. O dólar à vista disparou 2,31% naquele pregão, fechando a R$ 5,0086 — a primeira vez que a moeda americana encerrou uma sessão acima de R$ 5,00 desde 23 de abril. O episódio passou a ser chamado pelo mercado financeiro de "Flávio Day 2", em referência ao pregão de 5 de dezembro de 2025, quando o senador anunciou sua pré-candidatura e fez o Ibovespa recuar 4,3%, o pior desempenho diário do índice desde 2021.

Correção técnica na quinta-feira alivia pressão sobre o real

Na quinta-feira (14), os ativos brasileiros operaram em modo de recuperação. O dólar à vista recuou 0,45%, voltando a ser negociado a R$ 4,9863 — abaixo do patamar simbólico de R$ 5,00. O Ibovespa avançou 0,72%, encerrando o dia aos 178.365,86 pontos, puxado principalmente pelas ações do Itaú Unibanco.

Especialistas do mercado enxergaram o movimento como uma "correção técnica" após o estresse excessivo da véspera. "A bolsa brasileira refletiu nesta sessão ajustes à reação um pouco exagerada da véspera à notícia sobre Flávio e Vorcaro e seus potenciais desdobramentos", avaliou Marco Tulli Siqueira, superintendente da Necton/BTG Pactual.

O pregão também foi marcado pela divulgação de resultados corporativos relevantes, incluindo os balanços de Banco do Brasil, CSN e Braskem — fatores que ajudaram a dar sustentação ao índice ao longo do dia.

Ibovespa acumula queda semanal de 3,12%

Apesar da recuperação isolada de quinta-feira, o saldo semanal seguiu negativo. De acordo com dados compilados pelo portal Planeta Osasco, o Ibovespa acumulou queda de 3,12% na semana. Já o dólar registrou valorização de 1,89% no mesmo período, e de 0,68% em maio.

Para Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Criteria, o impacto político vai além do episódio pontual. "A tese de alternância em 2027 vinha ajudando ativos brasileiros. A crise envolvendo Flávio enfraquece essa narrativa e, ao mesmo tempo, o governo acelera medidas populares com custo fiscal potencial", afirmou o especialista, citado pela CNN Brasil.

O custo fiscal potencial a que Pedroso se refere diz respeito a programas de gastos que o governo federal pode anunciar em um cenário eleitoral acirrado — o que tende a pressionar as contas públicas e aumentar a desconfiança dos investidores em relação à sustentabilidade fiscal do país.

Sexta-feira: dólar volta a subir, desta vez com ajuda do exterior

Na sexta-feira (15), o dólar retomou a trajetória de alta e voltou a operar acima dos R$ 5,00. Por volta das 15h (horário de Brasília), a moeda americana avançava 1,47%, cotada a R$ 5,0592, segundo o Estadão E-Investidor. Durante as primeiras negociações do dia, a divisa chegou a tocar R$ 5,0561.

Desta vez, os fatores externos ganharam protagonismo. O petróleo seguia firme acima dos US$ 105 por barril, sustentado pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã — conflito geopolítico que mantém aceso o temor de inflação global mais persistente e, consequentemente, reforça apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manterá juros elevados por mais tempo.

Juros altos nos EUA tornam os títulos americanos mais atrativos para investidores globais, o que estimula a migração de capital dos mercados emergentes — como o Brasil — para a economia americana. O efeito direto é a valorização do dólar frente às moedas de países em desenvolvimento, incluindo o real.

O que significa para o seu bolso?

A oscilação do dólar tem impacto direto no dia a dia dos brasileiros, mesmo para quem não investe em moeda estrangeira. Uma divisa americana mais cara encarece produtos importados, desde eletrônicos e eletrodomésticos até insumos industriais. Além disso, pressiona a inflação, já que parte dos combustíveis e alimentos tem preços vinculados ao mercado internacional.

A alta do petróleo, por exemplo, pode se refletir em reajustes nas bombas de combustível — o que afeta o custo de transporte e, em cascata, o preço dos produtos nas prateleiras dos supermercados.

Operação Compliance Zero e novos desdobramentos políticos

No campo político, a semana também foi marcada por mais um desdobramento da crise. Na manhã de quinta-feira (14), a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, em uma nova fase da Operação Compliance Zero. A ação reacendeu as atenções do mercado sobre o caso e manteve os investidores em alerta quanto aos possíveis impactos eleitorais e econômicos do episódio.

Flávio Bolsonaro negou, na quarta-feira (13), ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, o senador afirmou que as conversas reveladas pelo Intercept Brasil foram distorcidas e que não houve qualquer ilegalidade em seus contatos com Vorcaro.

Perspectiva para os próximos pregões

Analistas seguem cautelosos diante do cenário que combina ruído político doméstico, pressão fiscal potencial e fatores externos desfavoráveis. Marco Tulli Siqueira, da Necton/BTG Pactual, destacou que a perspectiva para as ações brasileiras ainda é positiva no médio prazo, mas reconheceu que o índice tem experimentado um ajuste sustentado, em parte, pela saída de capital externo.

O mercado continuará de olho nos desdobramentos do caso Flávio Bolsonaro-Master, nas decisões do Fed sobre juros nos EUA e nos preços do petróleo — três variáveis que, juntas, devem ditar o ritmo do dólar e da bolsa nas próximas semanas.

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